domingo, 2 de dezembro de 2012

Um mal necessário



Estamos vivendo em uma época de mudanças ou numa mudança de época? Todo fim é um começo ou todo começo tem a presunção de um fim? Após o término de um ciclo, devemos tomar direções e caminhos que porventura deveriam estar certos. Porém, o filósofo Sócrates já dizia que toda verdade deve ser questionada.  O bicho homem que não se questiona não fica distante de um burro impedido de olhar tudo a sua volta.

A desistência é inerente à vida e é perca de tempo negá-las. Não existe desistência que não seja seguida de um renascimento. É necessário encontrar o ópio do reencontro de você consigo mesmo. Entre tantas, continuo aqui esperando sentado a hora de mudar. 


Entre tantos pensamentos, queria eu ter nascido nós últimos dois decênios do século XIX quando o Simbolismo prezou pela fraqueza, cansaço de viver, isolamento de um público e longe dessa civilização tecnológica acusada de materialista. Crescemos mergulhadas nas palavras de correr atrás dos sonhos, viver sempre ao máximo. Sim, mas também precisamos desistir. É feio desistir? Talvez seja feio continuar perdido no caminho de suas incertezas. 

Saber desistir é umas das lições mais duras quando impostas ou por vontade própria, mas talvez com essa decisão venha sabedoria, sucesso e comprometimento. Seria um mal necessário carregar tudo conosco e excesso de males que traz um peso desnecessário.  Todos nós temos a liberdade de desistir de nós mesmos e recomeçar, apesar de Jesus não ter desistido de perdoar os pecados da adúltera Maria Madalena. 

Então, não olhe para a desistência apenas como um fim. Na verdade é apenas paralela a expectativas frustradas. Portanto, muito sábio quem sabe desistir e ter no futuro boas surpresas na vida. Tudo de ruim, poderá se tornar um “já sabia que isso iria acontecer”. 

Hoje vou desistir de tudo, talvez assim seja melhor.


 

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