Aos olhos do saudoso
Mário Quintana “O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no
tempo...”. É compreensível lembrar-se dos tempos de escola, das amizades, das conversas,
provas, colas e até mesmo os bilhetinhos. Ah, também não poderia esquecer os
apelidos cômicos, poderia citar os meus, mas deixaremos para outra ocasião.
É simplesmente
verdadeiro enquanto estamos na escola reclamando para se encerrar esse ciclo de
estudos que se perpétua durante onze anos e exclamando em voz alta: “Não
aguento mais estudar, não vejo a hora de terminar” ou “Que coisa mais chata
estudar”. É comum ouvir os gritos dos professores
cansadíssimos depois de exaustivas horas de trabalho pedindo com gentileza ou
não que seus alunos parem de conversas paralelas.
Cada dia nesses últimos
onze anos (2000-2011) não era vistos como mais um dia, e sim como menos um dia.
No momento, uma felicidade radiante, hoje apenas tristezas e lamentações de
quem gostaria de voltar no tempo. Perdemos as contas de quantos trabalhos,
seminários, exposições e feira de ciências apresentamos pelos suados e sofridos
míseros pontos que no final do ano fazem toda diferença. Também não se esquecendo das tão temidas provas
de português e matemática que fazia o cérebro de alguns ferverem, já de outros
apenas uma cola seria suficiente para estar na média.
Depois de tantos
trabalhos e festivais de avaliações, olharmos para o passado e questionamos: Valeu
a pena? Eu diria que sim, talvez meus amigos não. O Fernando Pessoa certamente
diria: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. De toda e qualquer forma, os professores “bonzinhos”
ou “malzinhos” nós marca de alguma forma que entenderemos somente daqui a
alguns anos. Eu sei os que deixaram lições de vida, mas prefiro não citar seus
nomes.
Seria unanimidade todos
gostarem da disciplina de Educação Física? Umas das disciplinas mais esperada
da semana, era a alegria de todos o momento de praticar os esportes como futebol,
voleibol, basquetebol e handebol. Era um prazer tão bom que inclusive chegou a
gerar conflito com um determinado professor que não levava os alunos para essa
prática de esportes.
Não poderia esquecer de
lembrar das brigas escolares,principalmente das meninas com seus clássicos
puxões de cabelos e os meninos sempre mais agressivos com seus socos que
chegavam a se enrolarem no chão. Eu nunca briguei na escola e me orgulho
disso. A escola é um lugar de boas lembranças,
a gente brinca de crescer e virar gente grande. Desde cedo ouvia dos mais
velhos que deveríamos ir à escola para ser alguém na vida.
Diferentes de muitos eu
gostava mesmo de ir à escola, fazia chuva ou sol sempre estive lá na minha
segunda casa (crescir ouvindo isso). Hoje, porém o tempo mudou bastante, somente
não levou consigo as minhas recordações, o que dito certo a morte o fará.
Também não poderia
deixar de recordar de uma experiência realizada no segundo ano do ensino médio
quando visitamos o Quilombo de Filipa na zona rural de Itapecuru Mirim, cidade
localizada no Maranhão. Uma comunidade formada há mais de cem anos por escravos.
A primeira impressão que tive foi que o tempo parou nesse quilombo. No chão, terra
batida, casas de taipa coberta com palhas secas de coqueiro, havia poucas casas
de tijolos, mas ainda assim bem simples. Não poderia faltar também o
tradicional tambor de crioula, um ícone de resistência que mostra o quando o
negro também é um ser forte, guerreiro e também tem sentimentos.
Há exato um ano encerrava
o meu longo e duradouro período escolar, todos numa solenidade de conclusão do
ensino médio que emocionou e levou todos aos prantos, pois chegava o fim de um
ciclo na perspectiva de se iniciar outro o do ensino superior. E até hoje durante todas as noites me lembro
da despedida ao som de Renato Russo: “... Nem foi tempo perdido, somos tão
jovens”.
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