Recebi um convite para
sair. Depois de tanto tempo sem frequentar baladas. Confesso que iria declinar
o convite, mas nada como uma chantagem emocional dos amigos para nós fazer
mudar de ideia. Então lá se foi eu me arrumar
para essa balada que não estava um pingo a fim de ir. Escolhe essa peça de
roupa, muda aquela, coloca essa e por aí vai.
Se bem que as mulheres
se preocupam com os detalhes mínimos da roupa, maquiagem e quais adereços usar,
já os homens somente o dinheiro no bolso basta. Seria bom se todos os amigos
fossem pontuais, até mesmo para curtir a noite. Ao certo, não sei dizer quanto
tempo fiquei esperando por eles, mas que fiquei horas esperando, isso eu sei.
Lá estávamos nós três, esperando
adentrar o lugar que nós esperávamos, todavia, resolvemos parar antes e beber
uma garrafa de vinho o que já foi suficiente para ficarmos com um sorriso no
rosto de gênese a apocalipse. Enquanto
bebíamos, observamos o movimento intenso de pessoas minimamente “estranhas”
para uma cidade extremamente conservadora. Uma coisa é certa: Em outras
cidades, se vale da expressão capitalista que o indivíduo vale o que tem, em
São Luís, você vale o que aparenta ter.
Enfim na porta da casa
de show, como sempre movimentado, ainda que seja uma atração repetida. Confesso
que não esperava encontrar você lá, apenas olhei de relance e olhei novamente,
sim você que estava lá! Confesso que logo fiquei um sorriso bobo em meu
rosto. Depois de estar alguns minutos
dançando e me divertindo como há muito tempo não fazia, você me para com
aqueles olhos escuros que me lembra uma jabuticaba e me cumprimenta tão bem que
parece que nós conhecemos o suficiente para nós tornamos bons “amigos”.
Depois disso, resolvi
beber umas doses de Martini para tentar esquecer você, mas pelo visto não
adiantou muito. E você, mais uma vez, como diria a letra de Legião Urbana vem
falar comigo, agora numa situação bem inusitada que se vivêssemos no século XX
seria um atentado moral contra a sociedade. Quando olho para o lado, vejo o
olhar do meu amigo com um ar de aprovação da nossa ousadia.
Isso foi o suficiente
para me deixar com as pernas bambas e querer me deleitar ainda mais em doses de
Martini o que viria a me deixar bêbado. Continuei a noite toda
dançando,pulando,gritando e dançando até ficar parecendo uma chaleira quente de
tanto suor. Porém, você não saia da minha mente, agora medroso como sou,
agradeço a bebida por haver me encorajado, então deixei meu amigo bêbado
sentado e sair em sua direção no intuito de fazer a pergunta da noite, talvez
uma pergunta em que não teria mais a oportunidade de fazer pelo fato de eu ser
muito medroso.
Confesso que a resposta
não foi como eu esperava, mas talvez por medo, pois não estava sozinho na
noite. De tudo isso, o que me impressionou foi suas palavras: “Grande admiração
e afeição por mim”, após aquele olhar fixo acompanhando de abraços e aperto de
mão, porém meu ato de coragem me deixou há refletir alguns dias e chegar à
conclusão de: Ainda não desistir...
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