O
que é eu mais gosto, quando compro um celular, é o fone de ouvido. Sim, aquele
pequenino objeto que serve de audição direta na cabeça do ouvinte. Aquela
audição privada, aconchegada somente a você, ninguém ousa lhe incomodar, nem mesmo
um inseto no seu momento de epifania.
Esse
pequeno objeto, se fosse santo, com certeza seria milagroso, nós livra de cada
situação horrível e quem sabe até constrangedora. O sujeito, sentado naquele
ônibus tão apertado quando aquele idoso (a) entra e para justamente na sua
frente, é tão trágico! Logo começa aqueles olhares de coerção para você ceder o
lugar ao idoso, é aí que entra em ação, o seu fone de ouvido que lhe ajuda a
ouvir aquela música básica enquanto finge está dormindo.
E
pensar que com essa pequena “coisinha” esconde o gostoso musical do sujeito,
podendo ser o mais extravagante funk, seresta, o reggae (que todo maranhense
conhece) até o mais excelente gosto musical como Caetano Veloso ou o brilhante
Tom Jobim cantado:
“Olha
que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Mais cheia de graça
É ela menina
Que
vem e que passa”.
A
funkeira Valesca Popuzuda que me desculpe, mas prefiro a garota de Ipanema,
cheia de graça, ainda que seja inalcançável. Quando criança, ele já fazia parte
do meu encanto, hoje ainda mais. Conheço que sou curioso em saber o que o
sujeito está ouvindo, que ele compartilhe as suas músicas. Não sente
curiosidade em dividir esses momentos com as pessoas? Conhecer-lhes seus
gostos? Qual o sentido daquela música para ele?
O
danado ainda tem outro papel importante de nós livrarmos de pessoas, digamos não
muito agradáveis. Sim, o fone de ouvido nós ajuda a se fazer de surdo, enquanto
a pessoa cansa suas cordas vocais de tanto nós gritar. Eu pensaria: “Vai gritar
ao diabo, não a mim”. Queria muito negar, mas o danado já é um filho, tenho no
mínimo uns três na mochila.
É
comum, olharmos desde as crianças até os mais idosos usando fone de ouvido, preste
atenção, dificilmente encontrará um sujeito que não tenha se rendido ao danado.
Cada vez mais esse progresso tecnológico cria diversos mecanismos de aparelhos:
menores, ousados, mais potentes com inúmeras possibilidades de difundir a
música no coração de todos. Isso certamente alimenta a alma e ajuda a diminuir
o estresse nas metrópoles.

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