No fundo da minha
gaveta aqui do quarto, encontro meu caderno do Colégio Bradesco-São Luís. 2005.
Tinha eu, portanto, 11 anos.
Em plena segunda-feira,
naquele sol de verão que castiga do sertão nordestino, estou eu, a caminho da
Universidade com os meus pensamentos flutuantes e voláteis. Poderia ficar em
casa, fumando um cigarro ou até mesmo tomando umas cervejas, mas o foco no futuro
sempre fala mais alto.
Sentado nessas paradas
de ônibus de péssima estrutura física, observo os movimentos dos veículos,
todos com pressas em resolver ou fazer algo. Logo me recordo da frase: “Tempo é
dinheiro”. Havia algumas pessoas sentadas ao meu lado, idosos com a aparência
cansada e mãos calejadas de tantos trabalhos na vida.
Mas, fora esses idosos
o que me chamou atenção foi apenas uma criança de onze anos de aparência franca
e raquítica. Com o livro maior que suas mãos, estava a destrinchar seu material
escolar de pedaços em pedaços e deixá-los voar com o vento sem direção. O por quê
de sua existência? Para que ir à escola? Muitas perguntas que essa criança não
saberia responder.
O momento tão singelo que
emociona todo ser humano que enxerga além das fronteiras do visível. Aquele
papel branco em suas mãos, dobrando-se até forma um simples barquinho que o
faria feliz naquele momento.
Nesse momento pude
compreender a tarefa de um educador, além de questões racionais, mas também
emocionais. Não deve se comportar apenas como um mestre a transmitir
conhecimentos de toda uma geração de sábios, porém conhecer a grandeza e
profundeza das mazelas que assombram milhares de crianças perdidas nas paredes
da sala de aula.
O desgaste e defasagem
de nossas escolas onde se deveriam construir sonhos e grandes homens se torna
apenas um corredor imenso em direção a se pronunciar apenas uma palavra:
Férias.
O ônibus chega naquela
precária parada de ônibus e vejo aquela criança subir os degraus sendo aprendiz
do mundo e não de sua escola. E lá se foi sem a possibilidade de encontrá-lo de
novo e na sua própria incerteza de um futuro brilhante.
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