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domingo, 18 de novembro de 2012

Infância Perdida



No fundo da minha gaveta aqui do quarto, encontro meu caderno do Colégio Bradesco-São Luís. 2005. Tinha eu, portanto, 11 anos.

Em plena segunda-feira, naquele sol de verão que castiga do sertão nordestino, estou eu, a caminho da Universidade com os meus pensamentos flutuantes e voláteis. Poderia ficar em casa, fumando um cigarro ou até mesmo tomando umas cervejas, mas o foco no futuro sempre fala mais alto. 

Sentado nessas paradas de ônibus de péssima estrutura física, observo os movimentos dos veículos, todos com pressas em resolver ou fazer algo. Logo me recordo da frase: “Tempo é dinheiro”. Havia algumas pessoas sentadas ao meu lado, idosos com a aparência cansada e mãos calejadas de tantos trabalhos na vida. 

Mas, fora esses idosos o que me chamou atenção foi apenas uma criança de onze anos de aparência franca e raquítica. Com o livro maior que suas mãos, estava a destrinchar seu material escolar de pedaços em pedaços e deixá-los voar com o vento sem direção. O por quê de sua existência? Para que ir à escola? Muitas perguntas que essa criança não saberia responder.

O momento tão singelo que emociona todo ser humano que enxerga além das fronteiras do visível. Aquele papel branco em suas mãos, dobrando-se até forma um simples barquinho que o faria feliz naquele momento.

Nesse momento pude compreender a tarefa de um educador, além de questões racionais, mas também emocionais. Não deve se comportar apenas como um mestre a transmitir conhecimentos de toda uma geração de sábios, porém conhecer a grandeza e profundeza das mazelas que assombram milhares de crianças perdidas nas paredes da sala de aula.

O desgaste e defasagem de nossas escolas onde se deveriam construir sonhos e grandes homens se torna apenas um corredor imenso em direção a se pronunciar apenas uma palavra: Férias. 

O ônibus chega naquela precária parada de ônibus e vejo aquela criança subir os degraus sendo aprendiz do mundo e não de sua escola. E lá se foi sem a possibilidade de encontrá-lo de novo e na sua própria incerteza de um futuro brilhante.