A infância é uma
“caixinha” recheada de lembranças. A minha
não poderia ser diferente nessa ilha de São Luís, onde se têm muitas palmeiras
e também canta o sabiá, como diria o poeta Gonçalves Dias. Não cresci em um
lugar cercados de muros e cercas elétricas no intuito de “proteger” a criança
da maldade do mundo. No entanto, essa maldade chegará aos nossos olhos ainda
que de forma tardia. Cresci e me eduquei
na periferia da cidade, com os “olhos abertos”, andando descalço em um chão de
terra batida e com brincadeiras de ruas que alegrava a todos com um brilho
especial no coração de cada criança.
Durante esses dias com
um sol estarrecedor e um enorme calor que fazia qualquer individuo suar feito
‘tampa de chaleira’, me recordei da infância com um rosto bonito. A minha
infância... Hoje eu compreendo o porquê dos meus pais terem pronunciado incansavelmente
muitos NÃO. Não toma banho na chuva, não corra descalço, não pegue sereno, não
brinque na rua. Pelo menos, eu tive a chance de brincar no parque e correr com
os colegas da escola. Ah, saudades de tempos bons que infelizmente o tempo não
trás de volta.
Hoje, eu enxergo as
crianças do meu presente com os olhos saudosos. Em uma plena tarde de domingo,
por alguns instantes eu vi que deveria ter sido uma criança “saliente”, na
linguagem do bom maranhense que sou. Espero que meus sobrinhos sejam assim,
crianças peraltas. Observava de longe aquelas crianças de todos os tamanhos,cada
uma com sua características bem pessoais com os olhos voltados fixamente para o
céu da minha linda e velha cidade.
Não me causou nenhuma
surpresa ao perceber que os olhos daqueles pequeninos estavam a acompanhar os
movimentos que as pipas de diversas cores, formas e tamanhos que faiscavam com
movimentos e curvas. A expectativa dos “pinginhos de gente” torcendo por uma
pipa cair do céu e tonar o seu dia feliz não tem preço.
No que me recordo à
única vez que pude brincar com uma pipa foi em um campeonato na 4º série da
escola, aonde vi o movimento da linha escorrendo em minhas mãos e sentindo o
peso daquele objeto feito com papel e talas de bambu. Hoje, eu compreendo o motivo
dos meus pais em nunca terem me deixado brincar de pipas. Espero que os meus
sobrinhos tenham essa sorte que eu não tive de brincar com as pipas que não
existiram na minha infância.
Lembrei tanto da minha infância, eu era tão criativo, tinha uma imaginação tão fértil, vejo o quanto é lindo isso hoje e quanto deveria ter aproveitado mais, brigado menos, mas enfim, o tempo não volta. Mas é sempre bom relembrar.
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