Em São Luís, tive a
oportunidade de estudar em uma escola filantrópica. Estaria completando treze
anos que entrei pela primeira vez naquela escola em um inverno de janeiro de
2000. Novas portas estavam se abrindo e conheceria adultos e crianças de
múltiplas personalidades, alguns marcaram, outros nem me lembro do rosto. Isso,
sem dúvidas, deixa marcas na infância.
Lembro com eterna compaixão,
que a minha mãe passara o dia todo na escola para que eu me adequasse àquela
nova realidade social. Confesso que estranhei, pois me sentia em uma prisão sem
muros em busca de uma falsa “liberdade”. Todos ali crianças, uns pequeninos em
busca de um futuro promissor de ser advogado, médico, engenheiro e eu cair na
cilada de querer ser jornalista.
Hoje, no futuro, eu
vejo que deveria ter sido uma criança bem danada e aprontado nos corredores da escola,
afinal isso fez parte da infância de meus colegas. Fui uma criança tímida, comportado e muito
caladinho em comparação aos meus colegas peraltas, bagunceiros e brincalhões.
Aposto que se divertiram mais do eu, deixando muitos professores de cabelo em
pé. Esse rótulo de “comportadinho” é terrível, pois se você “escorrega”, todos
lançam olhares de decepção a você.
Uma professora da 4º
série, essa sim me marcou. Aos olhos de todos nós, era uma “malvada”. Como
futuro educador, eu vejo que atitudes de firmeza eram necessárias para manter o
controle daquelas crianças rebeldes. Detestava os rótulos a mim atribuídos de
bom aluno, dedicado aos estudos e no dia que eu brigasse na escola, poderia
mandar me internar, pois havia ficado louco.
Essa professora que se
chamava “R.F”, havia me rotulado de uma maneira que nenhum professor havia feito,
coitada talvez por tantos alunos para ensinar e com mais de vinte anos de sala
de aula, talvez não reconhecessem ou lembrasse-se de todos ao pé da letra. Meus
pais ficaram perplexos quando a professora me caracterizou de um aluno baderno,
bagunceiro e que atrapalhava o andamento da turma. Não me castigaram, pois
sabiam que ela estava equivocada ao meu respeito e realmente estava.
Ah, se eu pudesse
voltar no período escolar, daria tudo para ser esse aluno bagunceiro que
infelizmente nunca fui. Ainda que tenha sido uma concepção errada ao meu
respeito, sinto-me feliz por isso. Recordo-me da frase do filme O Clube do
Imperador: “O caráter de um homem é o seu destino”. E até hoje, durante as
minhas noites de inverno, me lembro dessa professora nas lembranças da minha
memória.

Nenhum comentário:
Postar um comentário